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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Já me dei o direito de assumir completamente o meu estilo há muito tempo, mas foi uma tarefa árdua.
Como é difícil ao longo dos anos, assumir uma postura e refletir isso no seu trabalho, no seu traço.
Tem que se conhecer.
Acho que nos útimos tempos, mergulhei tão fundo na ânsia de me conhecer, de saber realmente quem sou, que chega-se a um ponto que não tem mais volta. Isso está impresso no seu trabalho. Sejam vícios ou virtudes, eles incrustam no seu traço e ali ficam como uma assinatura indelével. Por muito tempo eu relutei em assumir um estilo. A grama do vizinho sempre se mostrava mais verde aos meu olhos, e num narciso às avessas, achava que tudo o que não me pertencia era mais belo.
Mas de qualquer forma foi bom assim, pois isso resultou numa procura incansável em aprender, em assimilar. E quando voltei, me deparei com meus trabalhos crescidos e maduros, que sorriam nos meus dedos e que me obedeciam numa dança sincronizada, sem ansiedade ou insegurança.
Mas preste atenção: Não iluda-se pensando que quando se chega a um ponto, cessasse a procura, a busca pelo conhecimento. Lamento dizer, mas a tendência é aumentar o foco e o interesse ainda mais. Lamento dizer mas a procura permanece.
A única mudança é de que esta procura agora é em torno do que eu sei que sou. Mas o estudo é eterno. Só paramos de aprender quando já não se pode mais prosseguir nesse mundo. Quando já se cumpriu a missão e passamos pra outro nível do jogo.
E aos poucos, me desprendi dos meus ídolos, e trilhei um caminho meu. Essa é a divisão de águas quando se quer ser um desenhista e quando se tem um hobby como desenho. Larga-se os mangás, os esboços dos desenhos da Disney, as reproduções dos encantadores personagens do Mauricio de Souza, o Goku, a miss estrelinha não sei das quantas e finalmente seu olhar se abre. Mais do que se espelhar nos seus ídolos e em seus desenhos e estilo, é preciso seguí-los sim, mas em sua excelência, em suas virtudes. O caminho deve ser seguido com seus próprios passos. Os ídolos são eternos, claro. Referência que enchem nossos olhos e nos inspiram. Mas é necessário finalmente ser você.

Eis aqui mais uma de minhas bruxinhas, ainda em construção.
Uma bruxa jovem e séria, ciente de seu poder.
Gosto de bruxas. Elas são sábias e arteiras e mais sinceras em suas traquinagens do que as santinhas de plantão. Não pintaria anjos, ou santos, embora meu amor pela estética das coisas os englobe também. Mas as bruxas me encantam muito mais, com suas riquezas de detalhes, sua aura de humor negro e magia. Bruxas são, acima de tudo, mulheres corajosas. Afinal, para assumir a dor e a delícia de ser o que é, é necessário um certo feitiço, um nível alto de magia.
Eis aqui mais uma homenagem minha à estas encantadoras senhoras.
Pois apesar de não crer nestas damas não muito vaidosas, mas faceiras e descoladas, sei que elas existem.
Ô se existem...


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