Hoje está frio. Está nublado. Está cinza. Em outros dias eu carregaria esse cinza pra dentro de mim. É domingo. Domingos me deixam tristes, não sei porque. Domingos cinzentos então... Mas deixei o cinza lá fora e pus um sol brilhante e um céu azul dentro dos meus olhos hoje.
Pra um dia frio um cobertor de lã macio.
Um livro cheio de sol e de romance. Que tal coleção Bianca, Julia, Sabrina?
O quê foi?
Voce torceu o nariz?
Paciência...
Não vou citar Arthur Schopenhauer pra posar de erudita. Gosto de coisa trash também e muitas vezes são elas que tiram as sombras do meu olhar, me fazem rir de sua tosqueira comum e inocente, sem grandes pretensões. Seria pretencioso de minha parte se dissesse que estou lendo Stephenie Meyer com ares de grande romance. Já comentei com alguém que a coleção de vampirinhos brilhantes ficaria linda em livros de capa pintada e páginas de papel pardo. Vendidos ternamente na banca de jornal mais próxima. Não faria diferença.
A chuva desce fina, leve e irritante lá fora. Eu me contorço no meu cobertor, piscando os olhos de sono e tentando acompanhar o que Catharinne Victória dirá a Adolfo Marcelo antes de se beijarem ardentemente e selarem seu amor impossível às margens de um lago qualquer na Dinamarca.
"Ó Adolfo Marcelo, seus braços são tão fortes e musculosos!"
"Catharinne Victória, vou beijar seus lábios ardentes como o fogo e tomá-la em meus braços fortes"
Como tenho dificuldade em concentração, imagino Adolfo Marcelo desviando seu olhar de Catharinne e admirando seus braços, e ficando enamorado por eles, e se debruçando nas margens do lago e beijando-os, e apaixonando-se por sua imagem máscula refletida nas águas, enquanto a entediada e insatisfeita Catharinne observa aquele Narciso enamorar-se de seu reflexo...
Ihhh... Acho que o sono chegou.
Um dia frio.
Um bom lugar pra ler um livro...
